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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

ICONOGRAFIA

RESGATE FOTOGRÁFICO.

Mais uma, entre tantas outras, fotografias que estão sendo resgatadas pelo escritor e pesquisador do cangaço, Rubens Antônio (Salvador/BA).

Os personagens que aparecem na imagem são a senhora Júlia e o garoto Fernando Carlos, respectivamente irmã e filho do célebre e temido comandante de Força Volante baiana, Tenente Arsênio Alves de Souza, que atuou bravamente contra Lampião e seu bando, quando este espalhava a morte e o terror pelos sertões do Nordeste.

Entre os grandes feitos realizados pelo Tenente Arsênio Alves em sua luta contra o cangaço está a morte de Ezequiel Ferreira irmão caçula de Lampião. Fato ocorrido no dia 24 de abril de 1931, na localidade chamada Fazenda Tanque do Touro nas proximidades de uma lagoa existente na referida fazenda por nome Lagoa do Mel, na época pertencente à região de Jeremoabo na Bahia.

Durante o ataque-surpresa por parte dos cangaceiros contra a Volante o Tenente Arsênio Alves dos Santos, mesmo em meio à intensa fuzilaria, consegue alcançar a metralhadora que transportavam naquela ocasião (Hotchkiss) e disparar contra os atacantes, cessando momentaneamente o avanço inimigo, dando dessa forma tempo para que ele e alguns soldados que ainda resistiam, conseguissem fugir do local. Cessado o tiroteio do lado cangaceiro havia um morto. Era ele Ezequiel Ferreira irmão de Lampião.

Lampião perdia nesse combate seu último irmão cangaceiro e como desforra passa a agir desse momento em diante com extrema violência e selvageria contra as policias e a população rural sertaneja baiana, assim como de outros estados. Uma violência descomunal e jamais antes vista seria presenciada pelos sertanejos.

Nas quebradas do sertão.

Geraldo Antônio de Souza Júnior



Dona Júlia e Fernando Carlos, irmã e filho do Tenente Arsênio Alves de Souza.




Tenente Arsênio Alves de Souza


domingo, 24 de dezembro de 2017

LAMPIÃO NA BAHIA

COMBATE DA LAGOA DO MEL


No dia 24 de abril de 1931 Lampião e seu bando atacaram uma Força Policial Volante baiana comandada pelo Tenente Arsênio Alves de Souza. Os soldados foram atacados de surpresa enquanto descansavam próximo a um tanque (Lagoa do Mel) localizado na Fazenda Tanque do Touro que atualmente está anexada ao município baiano de Paulo Afonso.


No combate da Lagoa do Mel (Fazenda Tanque do Touro) foram mortos pelos cangaceiros, 13 soldados no local e outros três posteriormente, totalizando 16 baixas no efetivo da Força. O massacre não teve efeitos ainda maiores graças à ação rápida e eficaz do Tenente Arsênio Alves, que em meio aos tiros disparados pelos cangaceiros, conseguiu alcançar e disparar uma rajada da Metralhadora (Hotchkiss) contra os inimigos, afugentando-os por alguns instantes, dando assim tempo suficiente para que pudessem fugir do local. Ao ser disparado os tiros da metralhadora, que era algo novo para a época, um dos projéteis atingiu mortalmente Ezequiel Ferreira (Ponto Fino), pondo fim a vida do último irmão cangaceiro de Lampião. O Tenente Arsênio Alves antes de fugir retira uma das peças da metralhadora, deixando-a inutilizável.


Desde então uma versão que afirma que Lampião e seus homens teriam se utilizado de chocalhos de bodes para confundir os soldados e se aproximarem do local onde descansavam e atacá-los de surpresa, vem sendo repassada em livros, filmes, entre outros trabalhos sobre o gênero.


Agora fica a pergunta:


Teria realmente Lampião e seus comandados utilizado essa artimanha (Chocalhos) para se aproximarem dos soldados sem serem percebidos, quando na verdade o silêncio e o fator surpresa seriam a tática correta?


Vamos debater o assunto.


Vocês não acham que a utilização de chocalhos por parte dos cangaceiros teria ou poderia surtir um efeito contrário despertando a atenção da soldadesca em direção ao som emanado?


O fator surpresa sempre foi utilizado por Lampião no decorrer de sua vida contra seus inimigos. Porque nesse caso ele arriscaria chegar próximo ao inimigo que se encontrava fortemente armado, despertando sua atenção?


Outro fato interessante é que o ex-cangaceiro Ângelo Roque o “Labareda” afirmou em depoimento ao doutor Estácio de Lima, que a época era diretor do Instituto Médico Legal Dr. Nina Rodrigues em Salvador/BA, que os cangaceiros não utilizaram chocalhos para se aproximarem do lajedo (Tanque) onde os soldados estavam descansando e que pouco antes do ataque se depararam com um rebanho de bodes e cabras correndo assustadas, ainda segundo Labareda, provavelmente por conta da presença dos soldados. Alguns possivelmente dirão que Labareda pode ter distorcido a história, assim como fez com tantas outras que contou, mas por qual motivo ele esconderia um fato que em nada mudaria os rumos da história e que certamente engrandeceria ainda mais o feito realizado por ele e seus companheiros de cangaço?


Tenho a plena convicção de que as respostas para esses e alguns outros questionamentos históricos jamais obteremos... Mas quando usamos o bom senso e a inteligência conseguimos ao menos nos aproximar um pouco mais da verdade dos fatos, nesse caso, envolvendo as histórias e os personagens do cangaço.


Fica a incógnita.



Geraldo Antônio de Souza Júnior


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domingo, 12 de novembro de 2017

RESGATANDO A HISTÓRIA CANGACEIRA

Rubens Antônio

O incansável pesquisador e agora escritor Rubens Antônio, carioca enraizado na Bahia, vem ao longo dos anos fazendo um trabalho formidável ao que se refere ao resgate da história cangaceira, principalmente aquela ocorrida em solo baiano.

Histórias, fotografias e documentos tem sido localizados e trazidos ao conhecimento público graças aos seus esforços e dedicação às pesquisas e estudos sobre a saga cangaceira.

Entre seus inúmeros achados está uma fotografia do Tenente Arsênio Alves de Souza com dedicatória no verso e um broche (Fotos) feito em porcelana que pertenceu a uma de suas irmãs.

Tenente Arsênio Alves de Souza foi um dos mais importantes comandantes de Forças Policiais Volantes do estado da Bahia e um dos grandes perseguidores de Lampião e seus comandados na Bahia.

Uma história interessante que envolveu o então Tenente Arsênio Alves de Souza foi quando Lampião e seus homens se aproximaram utilizando-se de chocalhos do local em que a tropa havia parado para descansar e tomar água em um lajedo. Quando todos os Soldados estavam desprevenidos, Lampião e seus homens atacaram, matando muitos Soldados já durante os primeiros disparos. A Volante foi praticamente dizimada e o massacre não foi ainda maior, graças à rapidez do Tenente que conseguiu, mesmo em meio à fuzilaria, disparar a Metralhadora (Hotchkiss), afugentando os cangaceiros que atacavam ferozmente a tropa. Durante o disparo da metralhadora, que era algo novo para a época, um dos projéteis atingiu mortalmente Ezequiel Ferreira (Ponto Fino), pondo fim a vida do irmão mais novo de Lampião.

Nesse combate foram mortos 16 soldados no campo de batalha e outros 03 fora do local. 

Para a infelicidade de Lampião, que sempre possuiu o desejo de possuir uma metralhadora, o Tenente Arsênio sem condições de conduzir a metralhadora retira uma de suas peças, deixando-a inutilizada.

Embora tenha sido morta uma grande quantidade de soldados durante o ataque, Lampião teve um dos mais duros golpes de toda a sua vida cangaceira, a morte de seu irmão caçula, Ezequiel Ferreira da Silva (Ezequiel Profeta dos Santos).

Esse combate ocorreu no dia 24 de abril de 1931, na Fazenda Tanque do Touro na Bahia (Lagoa do Mel).

Em breve o Professor/Historiador Rubens Antônio estará lançando o Livro CANGAÇO NA BAHIA que trará muito material e informações inéditas e exclusivas que contribuirão profundamente para o engrandecimento da história do cangaço na Bahia.

Vamos aguardar.

Geraldo Antônio de Souza Júnior


Rubens Antônio e a rara fotografia do Tenente Arsênio Alves de Souza

Broche em porcelana pertencente à uma irmã do Tenente Arsênio Alves

Arsênio Alves de Souza