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domingo, 4 de agosto de 2019

PÉ DE UMBU-CAJÁ PLANTADO PELA FAMÍLIA FERREIRA (LAMPIÃO) EM FRENTE DA ANTIGA CASA DA FAZENDA POÇO DO NEGRO.

Na fotografia registrada recentemente pela amiga Mabel Cristine Nogueira Sousa (Nazaré do Pico/PE), vemos o antigo pé de Umbu-cajá plantado pela família Ferreira em frente da antiga casa da Fazenda Poço do Negro (Floresta/PE), onde passaram a conviver após abandonarem o sítio Passagem das Pedras (Serra Talhada/PE), devido aos intensos conflitos entre os irmãos Ferreira e Zé Saturnino, dono das Fazendas Maniçoba e Pedreira.

O antigo pé de Umbu-cajá, plantado pela família Ferreira, permanece vivo no local, onde hoje resta apenas ruínas da velha casa, como uma última testemunha dos acontecimentos ocorridos naquele pedaço de chão.

Geraldo Antônio De Souza Júnior



sábado, 25 de maio de 2019

EXPOSIÇÃO MACABRA.

As primeiras fotografias das cabeças dos cangaceiros mortos em Angico chegavam aos grandes centros e jornais como o "A Noite" do Rio de Janeiro, estampavam em suas primeiras páginas as fotografias da cabeça decepada do temível Lampião. Uma exposição macabra que enchia os olhares dos curiosos, que se dividiam em um misto de satisfação e antipatia.

As cabeças do casal Lampião e Maria Bonita foram levadas para o Museu do Instituto Médico-Legal doutor Nina Rodrigues em Salvador, Bahia, onde permaneceram até fevereiro de 1969, quando foram liberadas para sepultamento.

Geraldo Antônio De Souza Júnior

Cabeça decepada de Lampião.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

ESPÓLIO DE LAMPIÃO.

A data em que essa fotografia foi registrada é ignorada, mas pelo estado de conservação do material acredito que tenha sido realizada no decorrer das primeiras duas décadas após a morte de Lampião, ocorrida no dia 28 de julho de 1938.

Na imagem podemos observar claramente o chapéu adornado com moedas de ouro, bornais, cantil, lenço, punhal e parte do cano de uma espingarda, ambos pertencentes a Lampião.

Todo esse material, ao que consta, pertence atualmente a coleção particular do renomado escritor e pesquisador Frederico Pernambucano de Melo. Uma coleção de materiais cobiçada pela grande maioria dos cangaceirólogos. A real indumentária cangaceira do cangaceiro-mor.

Fica o registro fotográfico para o deslumbre geral.

Importante lembrar que essa fotografia pertence ao acervo do Mestre-cangaceiro Antônio Amaury Corrêa de Araújo.

Geraldo Antônio De Souza Júnior


terça-feira, 20 de novembro de 2018

OS TIROS QUE MATARAM LAMPIÃO.

Por: Antônio Amaury Corrêa de Araújo.

Tendo em vista a recente polêmica apresentada pelo escritor e pesquisador Frederico Pernambucano de Melo em torno da autoria e dos tiros sofridos por Lampião em Angico no dia 28 de julho de 1938, achei por bem apresentar a versão do não menos conhecido escritor e pesquisador do cangaço, Antônio Amaury Corrêa de Araújo, atualmente o pesquisador/escritor de maior longevidade e considerado por muitos como uma das maiores autoridades sobre o tema cangaço.

Assistam, analisem e tirem suas próprias conclusões.

Em breve espero trazer depoimentos de outros confrades pesquisadores/escritores.


Geraldo Antônio de Souza Júnior



segunda-feira, 19 de novembro de 2018

UM REI SEM COROA E SEM CABEÇA.

Fotografia da cabeça de Lampião exposta na Revista “O Cruzeiro” (1953).

Na cabeça “mumificada” de Lampião, que na ocasião do registro fotográfico, encontrava-se exposta no Museu do Instituto Médico-Legal doutor Nina Rodrigues em Salvador/BA, podemos ver claramente duas marcas, sendo uma na face direita (Mandíbula) provocada por um tiro disparado à queima-roupa pelo soldado Volante José Panta de Godoy, durante o ataque da Força Policial Volante alagoana ao coito de Angico no dia 28 de julho de 1938 e uma segunda marca na região temporal que foi provavelmente provocada por coronhadas ou por algum objeto contundente (Laudo) utilizado pela soldadesca movida pela cólera.

Durante décadas o soldado Antônio Honorato da Silva o “Honoratinho” ou “Noratinho” foi apontado como o autor do primeiro disparo contra Lampião em Angico, tendo inclusive o referido soldado chamado para si a responsabilidade sob o feito ainda no calor dos acontecimentos, não sendo na ocasião questionado por nenhum outro membro da Força Volante alagoana. Porém, passados mais de oitenta anos do acontecimento o célebre pesquisador e escritor Frederico Pernambucano de Melo, autor de inúmeros trabalhos sobre o gênero, trás um fato inédito que coloca em xeque a autoria do primeiro tiro a atingir Lampião em Angico. Segundo Pernambucano o ex-soldado Sebastião Vieira Sandes conhecido como “Santo”, pouco tempo antes de falecer, teria confidenciado ter sido ele e não Honoratinho o autor do primeiro tiro (Peito) a acertar Lampião durante o confronto ocorrido em Angico (Porto da Folha/SE) no dia 28 de julho de 1938. Um assunto que está dividindo e intrigando os estudiosos do assunto.

Algumas perguntas ainda procuram por suas respostas e a essa altura acredito ser impossível encontrá-las. A revelação feita pelo pesquisador servirá apenas para formar uma nova versão sobre o fato e instigar ainda mais as pesquisas em torno do assunto.

Lembrando que soldado José Panta de Godoy foi também o autor dos dois tiros, um na barriga e outro nas costas, que levaram Maria Bonita a óbito. Enquanto o soldado Sebastião Vieira Sandes conhecido como “Santo”, foi o degolador de Lampião.

E vocês o que acham sobre assunto. A revelação feita por Frederico Pernambucano de Melo tem sustentação suficiente para mudar o rumo da história? Quem realmente teria sido o autor do tiro mortal contra Lampião? Honoratinho ou Santo?

Deixem suas opiniões.

Geraldo Antônio de Souza Júnior



segunda-feira, 15 de outubro de 2018

O DIA QUE OS POLÍTICOS ENGANARAM LAMPIÃO.

Por: Adelmo José dos Santos (Escritor e Poeta serratalhadense)

A festa de setembro de 1991 em Serra Talhada, no estado de Pernambuco, terra natal de Virgolino Ferreira da Silva “Lampião”, tinha tudo para ser apenas mais uma festa como tantas outras, se não fosse o “Plebiscito da Estátua De Lampião” que provocou uma grande agitação na cidade.

As pessoas eram entrevistadas pela Rede Globo que estava fazendo a cobertura do plebiscito juntamente com a “Revista Veja”.

Nas entrevistas as pessoas opinavam dando a sua explicação. Uns diziam que eram contra a colocação da estátua na praça principal da cidade, outros diziam que eram a favor, também tinha aqueles que ficavam em cima do muro, com medo de dar a sua opinião.

A notícia se espalhou Brasil afora, se esparramou mundo adentro, e Lampião com mais de meio século da sua morte ainda continuava aceso, sendo um marco na historia do povo sertanejo. 53 anos após a morte de Lampião, Serra Talhada estigmatizada como um território violento, preparava-se para se transformar em um polo de turismo e lazer do estado, explorando de forma racional a imagem de um filho famoso e controverso: Lampião. O lendário cangaceiro, comandante das caatingas nas décadas de 20 e 30 do século passado.

Em setembro de 1991, Serra Talhada preparou um plebiscito para julgar pelo voto direto e secreto se na condição de herói, Lampião mereceria uma estátua na praça principal da cidade.

O deputado Federal Inocêncio Oliveira escreveu o texto que iria ocupar a parte frontal da estátua:

“Virgolino Ferreira da Silva, Lampião, vítima de uma época, escravo do subdesenvolvimento, filho das caatingas. Homenagem dos seus conterrâneos”.

Mas abaixo, por questões políticas, o deputado conferiu ao texto um outro tom, dando uma no cravo e outra na ferradura:

“O contraste entre o bem e o mal é necessário, para que você, mostrando o mal, dignifique e glorifique o bem”.

A celeuma em torno da estátua foi estimulada propositadamente pela Casa da Cultura e teve como objetivo final apenas explorar turisticamente o privilégio da cidade ser a terra natal de Lampião. E assim como tantos foras da lei, Lampião foi desenterrado pelos moradores de Serra Talhada, um rico polo regional de comercio a 415 Km do Recife, para reforçar argumentos na mais folclórica celeuma em que a cidade já se meteu.

Literalmente divididos, os moradores discutiam se colocariam ou não uma estátua de Lampião na praça principal da cidade. Isso seria definido no plebiscito que iria acontecer no dia 7 de setembro, data consagrada à padroeira do município, Nossa Senhora da Penha. Sob a bênção da santa, da prefeitura municipal, e até mesmo da justiça eleitoral que deveria ceder as urnas e permitir o uso dos títulos eleitorais.

O plebiscito teve como resultado a vitória do “SIM” com 72% de aprovação da proposta que considerava Lampião como um herói popular. O resultado gerou tanta celeuma que a proposta de erguer uma estátua de Lampião na praça pública ficou apenas no papel.

O importante é que Lampião acabou entrando na história, divulgando o nome de Serra Talhada em todo mundo, através da literatura, do cinema e da música.

O plebiscito aconteceu com a vitória “SIM”, mas prevaleceu o “NÃO”.

Lampião foi enganado, desviaram a sua história, e a estátua, que foi conquistada no plebiscito, acabou como mais uma promessa de político, não foi feita até agora.

Adendo: Geraldo Antônio de Souza Júnior


Imagem meramente ilustrativa. 


FRASES DE LAMPIÃO.


terça-feira, 2 de outubro de 2018

ICONOGRAFIA DO CANGAÇO.

Em minha opinião...
... essa é uma das mais belas e fascinantes fotografias de Lampião. Nela aparece o cangaceiro Barra Nova II (Manoel Maurício) segurando, ao que parece ser, um tinteiro e Lampião que posa escrevendo, para as lentes da câmera de Benjamin Abrahão Calil Botto.

Um detalhe interessante nessa fotografia é que o chapéu de Lampião não possui as tradicionais estrelas de couro.

Essa fotografia pertence ao acervo particular do escritor e pesquisador Frederico Pernambucano de Melo.

Geraldo Antônio De Souza Júnior


quarta-feira, 29 de agosto de 2018

RESGATE ICONOGRÁFICO.

RESGATANDO A HISTÓRIA CANGACEIRA.

Uma fotografia de um personagem da história cangaceira que era até então desconhecida foi recentemente localizada pelo incansável e inquieto escritor e pesquisador Rubens Antônio (Salvador/BA).

Trata-se da fotografia do Volante baiano Odonel Francisco da Silva, que teve participação decisiva em ao menos dois importantes combates contra Lampião e seu bando em solo baiano, entre os anos de 1929/1930, tendo destaque no Combate das Abóboras ocorrido no dia 04 de janeiro de 1929, ocasião em que foi morto o cangaceiro Mergulhão I (Antônio Juvenal da Silva).

Por: Rubens Antônio

“Odonel Francisco da Silva.

Após mais de uma década de busca, localizei uma imagem, do oficial Odonel Francisco da Silva. Torno-a pública.

Pernambucano, nascido em agosto de 1903, a partir da sua entrada na Força Pública da Bahia, aos 19 anos de idade, em 1918, como soldado, ascendeu rapidamente.

Era anspeçada, em 1922; cabo d'esquadra, em 1923; 3° sargento, em janeiro de 1925; 2° sargento, em dezembro de 1925, 2° tenente em 1927.

Destacou-se liderando pelotões volantes baianos, especialmente em dois fogos, contra o bando de Lampeão:

- 04 de janeiro de 1929, em Abóboras, então, no município de Jaguarari, atualmente, pertencente ao município de Juazeiro, na Bahia.
- 25 de março de 1930, na fazenda Favella, no município de Juazeiro, Bahia.

Com a revolução de 1930, foi afastado do combate ao cangaço.

À frente de um pelotão, marchou contra a rebelião dos índios Aricobé, em novembro de 1933.

Chegou a 1° tenente, em 1939, e a capitão, em 1945. Passou à reserva em outubro do mesmo ano. Fixara-se na cidade de Barreiras. Nesta faleceu em, outubro de 1953, aos 50 anos de idade”.

Fica o registro.

Geraldo Antônio de Souza Júnior


Odonel Francisco da Silva

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

CURIOSIDADE

Você sabia?

Lampião tinha por costume incentivar lutas corporais as chamadas “Queda de corpo” entre Cabras de menor expressão e entre recém-chegados ao bando e veteranos a exemplo do que aconteceu com José Ribeiro Filho “Zé Sereno”, que para ser incorporado ao bando do primo Zé Baiano, grupo subordinado a Lampião, teve antes que disputar uma queda de corpo com o jovem cangaceiro Volta Seca (Antônio dos Santos). Segundo Zé Sereno, após derrubar Volta Seca no chão por algumas vezes, foi aceito por Lampião e incorporado ao subgrupo liderado por seu primo, Zé Baiano (José Aleixo Ribeiro da Silva).

Outra prática comum nos bandos cangaceiros era a luta entre cães. Ocasião em que os animais eram estimulados por seus donos para brigarem com cães adversários, onde saía vencedor o cão que conseguisse afugentar o oponente.

Tanto na luta entre homens, quanto em lutas entre cães eram realizadas apostas.

As lutas serviam para quebrar a rotina e garantir o divertimento dos cangaceiros durante suas longas jornadas em meio à caatinga ou durante as estressantes paradas nos coitos.

Um fato interessante ocorreu durante uma briga ocorrida entre os cães de Lampião e do cangaceiro Luiz Pedro, onde na ocasião o cão de Lampião foi derrotado e esse furioso pegou sua arma para matar o cão de Luiz Pedro. Luiz Pedro ao ver o Capitão furioso indo em direção ao seu cão, cruzou o caminho de Lampião o impedindo de descarregar sua fúria sobre o animal. Acalmado os ânimos, ficou o dito pelo não dito.

Nas quebradas do Sertão.

Geraldo Antônio De Souza Júnior


sexta-feira, 17 de agosto de 2018

CORONELISMO.

CORONEL JOÃO SÁ.

João Gonçalves de Sá “João Sá” (Jeremoabo, 25 de Novembro de 1882 - 05 de Agosto de 1958)

Ex-Prefeito da cidade Jeremoabo entre os anos de 1938 e 1943. Fazendeiro e pecuarista, Coronel da Guarda Nacional, deputado estadual pelo PSD. Uma das grades lideranças políticas do Nordeste baiano.

Em 1928, enquanto viajava, manteve um encontro inesperado com Lampião e seu bando, onde mantiveram o primeiro contato.

Em 1932 ao ser preso o ex-cangaceiro Volta Seca apontou o coronel João Sá como um dos mais poderosos e influentes coiteiros de Lampião em solo baiano.

O coronel João Sá faleceu no dia 05 de agosto de 1958 aos 75 anos de idade.

Geraldo Antônio de Souza Júnior


ENCONTRO COM LAMPIÃO.

Fonte: Wikipédia.

Em dezembro de 1928, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, estava de passagem pela Bahia, mais precisamente, pela então vila de Ribeira do Pombal. Lampião e seu bando estavam naquela região depois de vários anos atuando nos sertões dos estados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte, fugindo de uma grande perseguição dos aparatos policiais destes estados. Depois de passar pela vila, o bando de cangaceiros esteve também em Bom Conselho (hoje Cícero Dantas) e seguiu em direção mais ao norte, cerca de 40 quilômetros, para um pequeno aglomerado de casas denominado Sítio do Quinto, procurando a casa de um homem chamado José Hermenegildo.

Naquela mesma época, o coronel João Sá exercia os cargos de presidência da Intendência de Jeremoabo e, pela segunda vez, o mandato de deputado estadual pelo legislativo baiano. Ele, seu pai Jesuíno Martins de Sá (um dos secretários da Intendência de Jeremoabo) e o jovem José da Costa Dórea seguiam num pequeno automóvel modelo Ford rumo à cidade de Salvador, onde o trajeto naquele tempo exigia seguirem pelo território sergipano e dali prosseguirem por via ferroviária, utilizando os trens da ferrovia conhecida como Leste Brasileiro.

Conforme os relatos de Dórea transcritos no capítulo 5 do livro “Lampião na Bahia”, de Oleone Coelho Fontes, a viagem ocorreu à noite, na madrugada do dia 16 para 17 de dezembro de 1928 devido a um problema mecânico no automóvel. Mesmo sabendo que o grupo de Lampião circulava pela região, o coronel Sá confiou que guiando durante grande parte da noite, seguindo pelas antigas estradas poeirentas da região, eles poderiam passar despercebidos pelo bando.

Ao realizarem uma parada para tomar café na fazenda Abobreira, o medo de um encontro com Lampião e seus cangaceiros se tornou mais real, pois o proprietário do lugar, José Saturnino de Carvalho Nilo, confirmou que eles estavam nas redondezas. Mesmo assim seguiram adiante, em direção ao lugarejo Sítio do Quinto.

Ao entrarem no pequeno arruado, viram diante de uma casa um veículo parado, com alguns homens ao seu redor. Um deles estava com um candeeiro. O coronel João Sá imaginou que a casa onde o veículo e os homens estavam deveria oferecer algum tipo de apoio aos viajantes. Após brecarem, os passageiros do Ford foram cercados por homens armados e intimados a informarem quem eram. Após isso o coronel João Sá descobriu que estava diante do cangaceiro Lampião, e para confirmar suas suspeitas, o homem armado aproximou o candeeiro de seu rosto, mostrando a característico defeito em seu olho. Ele e os outros viajantes foram conduzidos à casa de José Hermenegildo e foram se acomodando em cima de sacos de algodão e de peles de animais, temendo que fossem mortos, assim como ocorreu com outros coronéis.

Mas Lampião não lhes fez mal algum. Em sua chegada à Bahia, ele pretendia firmar contatos, compor alianças, ampliar sua rede de coiteiros que lhe dariam apoio e proteção, e dizia que estava “em paz” no território baiano, que “havia entrado no cangaço pelos sofrimentos sofridos pela sua família” e que se “houvesse condições”, ele largaria aquela vida em armas e buscaria ficar em paz.

Porém, mesmo divulgando estas novas intenções, não deixou de coagir os fazendeiros baianos, pedindo para estes lhe “ajudar” no sustento do seu bando. E assim o fez com o Coronel João Sá, que não transportava dinheiro naquele momento, e sim títulos bancários. Dórea afirmou que foi chamado pelo coronel para fora da casa, onde lhe solicitou 200$000 réis para dar a Lampião. Este por sua vez deixou que os viajantes do Ford escrevessem cartas as suas famílias, que um portador levaria as missivas para Jeremoabo.

Na sequência, Lampião pediu a José Hermenegildo que colocasse três redes para acomodar a ele, ao coronel e a seu pai no mesmo quarto. Neste momento, o coronel pediu ao maior cangaceiro do Brasil que narrasse a epopeia de sua vida. Lampião descreveu as perseguições que sofreu ao longo da vida como bandoleiro das caatingas, mas que estava “a fim de descansar” no sertão baiano. Depois de ouvir as histórias, todos foram dormir, e após o despertar, o coronel João Sá comenta a Lampião que na condição de deputado estadual, teria de informar as autoridades sobre aquele encontro. Consta que Lampião não se alterou com as palavras do político baiano.

Quando o coronel deu na partida do seu automóvel, a máquina não pegou (provavelmente devido ao frio noturno do sertão). Na mesma hora, vários comandados de Lampião deram uma mãozinha ao coronel João Sá, empurrando o carro, que pegou no “tranco” e estes seguiram viagem.

Estes relatos foram documentados pelo jornal carioca "Crítica", de Mário Rodrigues (na edição do dia 30 de dezembro de 1928) e enquanto Lampião esteve na Bahia, as terras e os protegidos de Coronel João Sá permaneceram em segurança. O pesquisador Oleone Coelho Fontes afirma que, fosse por simpatia, por necessidade de preservar seus bens, ou por ter vislumbrando vantagens outras nesta aliança com o grande cangaceiro, o coronel Sá se tornou um dos mais importantes protetores de Lampião na Bahia.


Postado por: Geraldo Antônio de Souza Júnior

sexta-feira, 20 de julho de 2018

UM REINADO CANGACEIRO QUE ENCERRA SEU CICLO.

Ao amanhecer do dia 28 de julho de 1938 a Força Volante alagoana sob o comando do Tenente João Bezerra silenciosamente se aproxima da Grota do Angico localizada nos limites da antiga Fazenda Forquilha (Atual Fazenda Angico), na época pertencente ao município sergipano de Porto da Folha, local onde Lampião e parte de seu bando encontravam-se acoitados. Por volta das cinco horas da manhã quando a tropa ainda se posicionava para fechar o cerco ao bando, um tiro é disparado, transformando aquele pedaço de chão em uma amostra do inferno.

Uma incessante saraivada de tiros são disparados pelos soldados contra os cangaceiros, muitos deles ainda deitados. O fator surpresa, muitas vezes executado por Lampião e seus comandados contra seus inimigos, agora era a principal arma adversária. Pegos de surpresa os cangaceiros não tiveram tempo de se organizarem para uma possível desforra. Uma tímida e desproporcional reação é executada por alguns cangaceiros, mas diante do avanço e do poderio bélico da Força Volante a única e sensata decisão tomada naquele momento pelos cangaceiros, ainda sobreviventes, era fugir daquele local.

O resultado foram doze mortos. Onze cangaceiros, entre estes Lampião e Maria Bonita e o Soldado Volante Adrião Pedro de Souza, membro da tropa comandada pelo Aspirante Francisco Ferreira de Melo. Francisco Ferreira de Melo, que segundo consta na história, impulsionado pela bebida, foi um dos mais tenazes e ferozes combatentes, naquela manhã fria de 28 de julho de 1938 em Angico.

Cessado o tiroteio os soldados avançaram sobre os corpos dos cangaceiros, executaram alguns que ainda sobreviviam e saquearam seus bens. Em seguida os mortos foram degolados e suas cabeças seguiram junto com a tropa rumo à cidade de Piranhas em Alagoas, onde foram fotografadas e permaneceram expostas ao público até serem transportadas em cortejo por várias cidades até chegarem à Maceió, onde foram analisadas por legistas. Em Maceió, após passarem por análises, as cabeças dos nove cangaceiros mortos foram enterradas em uma cova coletiva em um cemitério público local, enquanto as cabeças de Lampião e de Maria Bonita foram enviadas para o Instituto Médico Legal Dr. Nina Rodrigues em Salvador, Bahia, onde permaneceram expostas ao público no Museu da instituição até fevereiro de 1969, permanecendo trinta anos, seis meses e nove dias insepultas.

As cabeças de Lampião e de Maria Bonita e as cabeças de outros cangaceiros que se encontravam também expostas no mesmo museu foram sepultadas no Cemitério Quinta dos Lázaros, em Salvador, Bahia. Colocando fim em uma longa batalha judicial travada pelas famílias que buscavam na justiça o enterro dos restos mortais de seus entes.

Geraldo Antônio de Souza Júnior


Cabeças dos cangaceiros mortos em Angico. No primeiro degrau de baixo para cima
vemos a cabeça de Lampião e logo acima a cabeça de sua companheira, Maria Bonita.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

ZÉ SERENO – CANGACEIRO APOSENTADO.


Durante oito anos ele enfrentou chuva, frio, sol, fome e sede nas caatingas enquanto as balas dos policiais passavam perto.

Os motivos que levaram Zé Sereno ao cangaço continuaram criando-lhe problemas durante toda a vida. Lê e escreve mas só passou 29 dias na escola. É um homem que nunca abriu um livro mais sério, mas fala com tranquila profundidade sobre a necessidade de se “respeitar a dignidade humana”. E se enfurece quando a norma central de seu código é desrespeitada..

“Homem é homem, não é bicho. Tem que ser respeitado”.

Tudo para ele é simples. Não percebe que foi figura importante de um capítulo da nossa história. Para ele tudo “são coisas da vida”.

Conta como entrou para o cangaço, as injustiças que sofreu, com um misto de fatalismo e bom humor irônico. A amargura é rara, porém quando surge brota junto com a violência. 







A CULPA DA POLÍCIA.


“Zé Sereno” explica que a única saída era o cangaço. Sua vida nunca foi fácil. “Lá no Nordeste a gente nasce e sobrevive sem perceber muito como e nem por que. Vai vivendo, brigando contra o clima, a falta d’água, quase tudo. Escola e médico não existem. Mas a gente tinha umas terrinhas dois primos e dois tios no cangaço. Sabe? Lá a polícia fazia o cangaceiro”.

Lembra que nasceu a 22 de agosto de 1913 e que, aos 17 anos, já era homem feito. “Lá a gente crescia e amadurecia logo porque a vida era curta e o trabalho excessivo. O sítio ia bem, pelo menos nos moldes de progresso de lá. Tinha 17 anos quando os soldados chegaram. Queriam informações sobre meus tios e primos cangaceiros. Não sabíamos nada, mas quebraram tudo que tínhamos em casa. Depois nos obrigaram a morar na cidade para evitar que descemos guarida a eles”.

“Como diz o outro, lá não havia educação. Tudo era na base da ignorância e da estupidez. Ficamos na cidade pensando nas plantações e na criação porque iam morrer por falta de cuidado. 


Um dia eu disse prá Lídia, minha mãe:

- “Olha, pra morrer ou viver eu vou voltar para casa”.

Cheguei e fui agredido por um soldado. Disse que era a primeira e última agressão que na vida e me juntei ao cangaço exatamente quando a propriedade ia bem e parecia que a vida ia melhorar.

Partiu na caatinga e foi deixando recados. Era sobrinho de Antônio Ingraça (Ingrácia), Arceto e primo de Zé Bahiano e Antônio Dicenauro (Sionário). Estava procurando o cangaço. “Lá tudo anda depressa. A morte e os recados seguem a mesma trilha e a fome acelera tudo. Principalmente mensagem para Lampião”.


“ZÉ SERENO” NASCEU


Encontrou os parentes e “Lampeão”, ganhou fuzil e trocou de nome. “Zeca da Lídia” (Zé de Lídia) não era nome de quem vai viver matando até chegar seu dia. Virou “Zé Sereno” porque era tranquilo. Foi aprendendo rápido. Atirar e brigar de faca era mais fácil que andar de alpercatas pelas caatingas espinhentas sob o sol forte, as vezes dormindo no molhado da chuva e de um ou outro arroio, com pouca comida e água. Mais difícil ainda era saber em quem confiar.

O povo gostava dos cangaceiros. “Lampião” punia os fazendeiros que não pagavam os trabalhadores e eram numerosos. Até padres apoiavam.

“Também éramos todos católicos, graças a Deus”. Havia muitos fazendeiros que contribuíam com dinheiro. O armamento era caro, mas fácil e bom. Os próprios oficiais da polícia também vendiam fuzis modelo 22, Parabelluns 9 e 7,63 milímetros, por seiscentos mil réis cada arma e dois mil réis o cartucho.

Mas a polícia tinha seus aliados. De boa vontade eram poucos mas por medo não faltavam quem falasse.

“Havia gente que nos acolhia porque gostava e, depois informava a polícia porque tinha medo”.

Mas “o povo era muito bom, se não a gente teria sido derrotado”. Além das duas cartucheiras de parabellum, mais duas de fuzil, no embornal iam sempre mais 700 ou 800 cartuchos. “Agora saber em quem confiar era mais difícil”.

“Zé Sereno” foi se tornando especialista em descobrir amigos e inimigos. Conta que quando via Pedro de Cândida (Cândido) “sentia o coração palpitar. Sempre soube que ele iria trair”.

Avisou “Lampeão” mas o “Velho Cego” respondeu que Pedro era seu coiteiro há 8 anos. Só concordou em sair na manhã seguinte, depois que eu ameacei me retirar com meus homens, mesmo sem ele.

A traição de Pedro de Cândida (Cândido) custou a vida de “Lampeão”. Restou um grupo de 27 homens.

Texto: José Eduardo

Fotos: Narciso Santos

Transcrição/Adendo: Geraldo Antônio de Souza Júnior


segunda-feira, 21 de maio de 2018

UM DOS ATRIBUTOS QUE LAMPIÃO ADMIRAVA EM UM HOMEM ERA A VALENTIA... E ESSE CANGACEIRO TINHA DE SOBRA.

Antônio Ignácio da Silva vulgo Moreno um dos cangaceiros mais destemidos, cruéis e valentes que se tem notícias em todo o ciclo do cangaço nordestino. Autor de inúmeros crimes, alguns deles cometidos antes e durante o cangaço e existindo fortes indícios de ter cometido ao menos um outro crime (Assassinato) após ter abandonado o cangaço e já em terras mineiras, onde passou a residir após ter deixado a vida da canga.

Moreno, segundo cangaceiro a utilizar essa alcunha, atuou principalmente nos estados do Ceará, Pernambuco e Alagoas, com rápidas incursões em estados próximos.

Entrou para o cangaço com o objetivo de se proteger das policias e de seus inimigos pessoais que mantinham contra ele aferrada e incansável perseguição. Inicialmente passou a fazer parte do subgrupo do bando de Lampião comandado por Virgínio Fortunato da Silva, viúvo de Angélica Ferreira irmã de Lampião e na época companheiro de Durvalina Gomes de Sá a bela “Durvinha”. Após a morte de Virgínio Fortunato “Moderno” ocorrida em outubro de 1936, Moreno passou a liderar o subgrupo do qual fazia parte e passou a conviver maritalmente com Durvinha, viúva de Moderno.

Foi incansavelmente perseguido por desafetos e pelas policias desses estados, que, segundo os escritores e pesquisadores Magérbio Lucena e Hilário Luchetti (In memorian), chegaram a cercar todas as “bebidas” (Fontes de água) existente na região em que Moreno atuava com o objetivo de capturá-lo ou eliminá-lo. Tendo o cangaceiro em uma dessas ocasiões atirado de longe contra os policiais que faziam o cerco a uma das fontes de água, segundo palavras do pesquisador e escritor Frederico Pernambucano de Melo.

Perseguições e emboscadas que se tornaram inúteis diante da sagacidade e desconfiança do bandoleiro, que sempre conseguia se esquivar e inutilizar os esforços inimigos.

Afirma-se ainda que o número de 21 pessoas mortas por Moreno "Morenagem", conforme suas declarações, chegue ao dobro do número citado.

Antônio Ignácio da Silva “Moreno” ou “Morenagem” nasceu em Tacaratu/PE no dia 01 de novembro de 1909 e faleceu em Belo Horizonte/MG no dia 06 de setembro de 2010, aos 100 anos de idade.

Fotografia gentilmente cedida por Neli Maria da Conceição filha do casal cangaceiro Moreno e Durvinha.

Geraldo Antônio de Souza Júnior

Antônio Ignácio da Silva vulgo "Moreno II" ou "Morenagem". 

segunda-feira, 23 de abril de 2018

DOCUMENTÁRIO

ZÉ SATURNINO – PRIMEIRO INIMIGO DE LAMPIÃO. 

Trecho do documentário O PISTOLEIRO DE SERRA TALHADA exibido pela Rede Globo de Televisão no ano de 1977. O documentário mostra uma das poucas filmagens em que aparece o célebre Zé Saturnino que foi o primeiro inimigo de Lampião. No vídeo Zé Saturnino fala sobre a sua questão envolvendo Lampião e seus irmãos. 

Esse documentário foi publicado inicialmente e na íntegra por Matheus Santos.

Geraldo Antônio de Souza Júnior


domingo, 15 de abril de 2018

HISTÓRIAS DO CANGAÇO

LAMPIÃO ENCONTRA UM “VALENTE” EM JATOBÁ DE TACARATU/PE.

Ao amanhecer do dia 27 de novembro (1930), os cangaceiros entraram em Jatobá de Tacaratu/PE, que se encontrava guarnecida por apenas dois soldados. Extorquiram dinheiro e roubaram casas comerciais, além de inutilizar os aparelhos de telégrafo.

Luiz Pedro prendeu o delegado, Silvino Delgado, e o chefe político local, Aureliano Menezes, conhecido como coronel Lero.

No meio da confusão, os cangaceiros toparam com um sujeito arrogante numa bodega dizendo que não tinha medo de Lampião e se quisessem podia mandar chama-lo. Foram dizer a Lampião. O chefe partiu pra lá como uma flecha, ia ensinar aquele loroteiro a respeitá-lo. Os cangaceiros foram atrás para ver o espetáculo. Quando Lampião entrou na bodega, tomou um susto:

- Você pur aqui, Eliseu? Eu nunca isperava incontrá tu por estas bandas, home!

Os dois abraçaram-se efusivamente. Os cangaceiros ficaram de queixo caído. Aquele era Eliseu Norberto, de Pedra (Alagoas), vendedor de redes, noivo de Anália Ferreira, irmã de Virgulino.

Ás 4 horas da tarde, os cangaceiros saíram de Jatobá em direção à Alagoas, levando preso o coronel Lero. Quando Lero disse que era amigo do coronel Ângelo da Jia, Lampião mandou soltá-lo.

Fonte: Livro Lampião – A raposa das caatingas de José Bezerra Lima Irmão.

Geraldo Antônio de Souza Júnior 


Virgolino Ferreira da Silva "Lampião"

domingo, 8 de abril de 2018

HISTÓRIAS SANGUINOLENTAS DE LAMPIÃO.

LAMPEÃO NA BAHIA

EXISTEM HISTÓRIAS QUE É MELHOR FICAREM NO LUGAR ONDE ESTÃO... OU SEJA... NO PASSADO.

ESSA É UMA DELAS...

"AS HORRIPILANTES AVENTURAS DO BANDO DE LAMPEÃO"

"Petrolina, 15 (Serviço especial da A NOITE) - Chegam notícias as mais impressionantes sobre a última excursão realizada por "Lampeão" e seu bando através do Nordeste.

Esteve elle, há poucos dias, nas proximidades de Villa Curaça, ainda no território bahiano, e ai praticou atos de cru e penoso vandalismo, attingindo a treze as victímas que fez por esta ocasião.

Entre os sacrificados pela mão assassina do tenebroso cangaceiro, conta-se uma senhorita, filha do Escrivão Domiciano. O bando facínora tendo prendido essa jovem, infligiu-lhe os máos tratos e vergonhas em que costuma comprazer-se, terminando por exigir, em troca da libertação da moça, a somma de 4:000$000 (Quatro contos de réis).

Não possuía o Escrivão Domiciano essa importância nem teve onde obtêl-a no momento. Como somente tivesse levado ao chefe cangaceiro um conto de réis o Escrivão viu sua própria filha ser sacrificada, não se apiedando o bandido das supplicas afflictivas do pae.

"Lampeão", depois de haver executado, com requintes de barbária, a senhorita, deteve-lhe o pae. Mais tarde, mas já muito tarde, o prisioneiro recebia de amigos os 3:000$000 (Três contos de Réis) que Lampeão embolsou".

Fonte: Jornal "A NOITE" de 15 de Julho de 1931.

Virgolino Ferreira da Silva "Lampião". 

sexta-feira, 23 de março de 2018

O OLHO CEGO DO CAPITÃO.

LEUCOMA.

Doença que acometeu o cangaceiro Virgolino Ferreira da Silva "Lampião" durante grande parte de sua vida e que acabou se tornando uma de suas "marcas registradas".

Vamos conhecer alguns detalhes sobre essa doença.

Leucoma é uma opacidade corneana quando a córnea toma aspecto branco em toda sua extensão ou em parte.

O leucoma pode ser congênito ou se desenvolver após doenças infecciosas, principalmente herpes ocular ou traumas. Além disso, o leucoma é uma opacidade que pode se localizar centralmente e também provocar alterações na curvatura corneana, diminuindo a visão.

No ano de 1925 durante um confronto em solo pernambucano contra Forças Volantes um tiro disparado pelo Nazareno David Jurubeba atingiu um pé de uma cactácea conhecida como quipá e os estilhaços dessa planta atingiram o olho direito de Lampião já acometido pelo leucoma, causando a cegueira definitiva do seu olho direito.

As imagens anexadas a essa matéria apresentam alguns exemplos dessa doença que tanto incomodou e tirou o sossego do Rei do Cangaço e certamente auxiliará os estudantes do assunto a compreenderem a causa e conhecer o real aspecto do olho esbranquiçado do Capitão Virgolino Ferreira da Silva "Lampião".

Fonte das informações: Blog Óculos e Wikipédia.

Adendo: Geraldo Antônio de Souza Júnior



quinta-feira, 22 de março de 2018

FRASES.

"Nós, os Nazarenos, resolvemos ir ao lugar onde as cabeças estavam expostas e identificamos a de Lampião, a quem conhecíamos muito bem". (David Jurubeba)

Em depoimento o Nazareno David Jurubeba antigo inimigo de Lampião, reconhece a cabeça exposta em Piranhas/AL, como sendo realmente do chefe cangaceiro.

*Nazarenos ou Cabras de Nazaré: Como eram chamados os integrantes da Força Policial Volante pernambucana oriunda do então povoado de Nazaré (Atual Nazaré do Pico/PE). Foram os maiores inimigos e perseguidores de Lampião e bando.

Geraldo Antônio de Souza Júnior



Cabeça de Lampião exposta na escadaria da Prefeitura da cidade de Piranhas/AL (28/07/2018).

quarta-feira, 14 de março de 2018

MOMENTO DE ORAÇÃO.

ONDE OS SOLDADOS FALHARAM... TRIUNFOU BENJAMIN ABRAHÃO.

Benjamin Abrahão Calil Botto realizou uma façanha espetacular ao conseguir localizar Lampião e seu bando em meio à caatinga e posteriormente convencê-lo a posar juntamente com sua gente para suas câmeras.

As fotografias e filmagens realizadas por Benjamin Abrahão causaram desconforto nas autoridades e principalmente nos comandos das policias ao mostrar para o mundo Lampião e seus comandados vivendo tranquilamente e de forma pacífica sem serem incomodados por seus perseguidores. A façanha realizada pelo antigo Ajudante de Ordens do Padre Cícero do Juazeiro do Norte/CE de certa forma demonstrou a ineficiência das policias estaduais ao que se refere a localização e repressão ao bando cangaceiro, acarretando e aumentando ainda mais os investimentos por parte dos governos estaduais e federal para a luta contra o cangaço e consecutivamente ampliando as perseguições policiais ao bando, após a exibição das fotografias e filmagens.

Os esforços impostos pelas autoridades logo trouxeram bons resultados e aos poucos o bando cangaceiro liderado por Lampião foi sendo esfacelado e no dia 28 de julho de 1938 a Força Policial Volante alagoana comandada pelo então Tenente João Bezerra aplicou o golpe fatal matando Lampião, sua companheira e outros nove cangaceiros na Grota do Angico localizada no então município de Porto da Folha em Sergipe.

O cangaço oficialmente teve o seu ciclo encerrado com a morte de Corisco ocorrida no dia 25 de maio de 1940 na Fazenda Pacheco localizada no município baiano de Barra do Mendes, quando o Diabo Loiro, como assim também era conhecido, empreendia fuga juntamente com sua companheira Dadá.

Benjamin Abrahão foi morto com 42 facadas no dia 07 de maio de 1938 na localidade Pau-Ferro a atual cidade de Itaíba em Pernambuco e a causa de sua morte ainda hoje é motivo de desconfiança ao que se refere a autoria e as motivações que levaram ao cometimento do crime.

O rico trabalho iconográfico e cinematográfico produzido por Benjamin Abrahão permanecerá sendo admirado e estudado por essa e pelas futuras gerações de estudiosos e pesquisadores do tema cangaço que tenho convicção que saberão reconhecer a importância do trabalho produzido à duras penas pelo sagaz aventureiro Benjamin Abrahão.

A imagem anexada a essa matéria foi registrada por Benjamin Abrahão (ABA Film) e é parte constante da antiga e extinta Revista O Cruzeiro. A imagem mostra Lampião e parte de seu bando em momento de oração demonstrando ao mundo que nem só de sangue vivia o cangaço.

Geraldo Antônio de Souza Júnior