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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

SUPOSTO FILHO DE LAMPIÃO.

José Alves dos Santos, natural de Chorrochó na Bahia, membro da família Engrácia, cujos integrantes dessa família foram alguns dos primeiros contatos de Lampião em solo baiano.

A família Engrácia forneceu vários de seus membros ao bando de Lampião, entre eles o célebre cangaceiro Zé Baiano, Cirylo de Engrácia, Antônio de Engrácia, Zé Sereno, Mané Moreno, Sabonete II, entre outros.

Segundo o escritor e pesquisador João de Sousa Lima, o senhor José Alves dos Santos é filho de Helena da família Engrácia com Lampião.

O texto abaixo escrito pelo escritor e pesquisador João de Sousa Lima explica com riqueza de detalhes essa história: (Geraldo Antônio de Souza Júnior)

"Da família dos “Engrácias” um dos grandes coiteiros de Lampião nessa região foi João Ramos de Souza, conhecido por todos como Joãozinho. Entre as filhas desse coiteiro Lampião se engraçou da jovem Helena e com ela teve um caso, poucos dias depois a menina-moça apareceu grávida e o Rei do Cangaço para resguardar a honra da jovem e não desmoralizar a família que tanto lhe dava guarida, tomou uma rápida e sábia decisão: pagou uma alta quantia a um rapaz, Simão Alves dos Santos, para que ele casasse com Helena e assumisse a paternidade do filho do cangaceiro. Simão topou o acordo e assim foi feito, nascendo a criança no dia 13 de agosto de 1930, sendo batizada com o nome de José Alves dos Santos.

O parto foi realizado por dona Lídia, mãe do cangaceiro Zé Sereno. Durante muito tempo as conversas sobre esse caso foram mantidas em segredo, temendo a população que Lampião fosse sabedor que a conversa havia se espalhado. Quando Lampião morreu e o cangaço se extinguiu, as brincadeiras começaram a surgir e os amigos de José Alves sempre o perturbavam relacionando-o como filho de Lampião.

Os comentários tornaram-se freqüentes e as pessoas de mais idade sempre tocavam no assunto. José Alves dos Santos ainda encontra-se vivo e residindo em Chorrochó, nas mesmas terras onde seus pais o criaram. Estive recentemente com ele quando realizei extensa entrevista e ele concordou em fazer um exame de DNA para realmente comprovar o que os fatos indicam. Os testes estão em andamento e só o tempo dirá se ele é realmente mais um filho gerado nas caatingas do Sertão Nordestino, mais um rebento descendente de Lampião, mais um fruto evidenciado de um farto capítulo da nossa história recente, a história do Cangaço, capítulo ainda tão latente, tão presente nos carrascais do Sertão". (João De Sousa Lima).

segunda-feira, 16 de julho de 2018

AS CRUZES DO CANGAÇO.

LOCAL DA MORTE DE ZÉ PRETINHO.

Vídeo produzido pelos pesquisadores Sandro Lee e João de Sousa Lima, que mostra o local onde foram enterrados os restos mortais de Zé Pretinho, morto e esquartejado por membros da Força Volante baiana comandada pelo Tenente Arsênio Alves de Souza. Acusado injustamente de traição pelos soldados, Zé Pretinho, após ter seu corpo varado por balas disparadas pelas armas dos Soldados, foi esquartejado e deixado ao relento nas proximidades da casa de dona Generosa, conhecida coiteira de Lampião e sua gente na região de Paulo Afonso/BA.

Nesse documentário produzido por Sandro Lee o pesquisador João de Sousa Lima dá uma verdadeira aula sobre o assunto.

Confiram.

Geraldo Antônio de Souza Júnior




CRUZES DO CANGAÇO.


DEMARCANDO OS LOCAIS HISTÓRICOS.

A louvável iniciativa dos pesquisadores João de Sousa Lima e Sandro Lee de demarcar pontos relacionados com a história cangaceira é digna da admiração e do reconhecimento de todos os simpatizantes e estudiosos do fenômeno cangaço, afinal a preservação e a demarcação desses locais facilitarão a localização e manterão a história evidenciada e ao acesso e olhares de todos, fazendo com quê esses locais e suas histórias não se percam com o passar dos anos. Papel que deveria ser realizado pela Secretaria de Cultura local.

Recentemente os dois pesquisadores estiveram na região do povoado Baixa do Boi nos limites de Paulo Afonso na Bahia e fixaram cruzes e placas nos locais das mortes de Ezequiel Ferreira da Silva “Ponto Fino II” irmão de Lampião, morto durante o combate na Lagoa do Mel e do paisano Zé Pretinho que foi covardemente executado pela Volante baiana do Tenente Arsênio Alves de Souza, sob a acusação de traição, pouco tempo após a Força Volante comandada pelo Tenente ter sido pega de surpresa pelo bando de Lampião e ter sofrido uma baixa de dezenove soldados, tendo sido mortos dezesseis no local do confronto e outros três posteriormente quando em fuga. Totalizando dezenove soldados mortos pelos cangaceiros. Fato que ocorreu no dia 24 de maio de 1931 na Lagoa do Mel.

Pesquisadores Sandro Lee (Esquerda) e João de Sousa Lima no momento em que fixaram a
cruz no local onde estão enterrados os restos mortais de Zé Pretinho. Morto e esquartejado
pela Volante baiana do Tenente Arsênio Alves dos Santos.


Cova rasa onde Zé Pretinho foi sepultado a mando de dona Generosa. 

 Durante o ataque surpresa contra a Volante baiana os cangaceiros foram surpreendidos por rajadas de tiros de metralhadoras disparadas pelo Tenente Arsênio o que provocou um recuo da frente inimiga, dando tempo para a fuga dos soldados sobreviventes, que fugiram do local em debandada. Cessado o tiroteio os cangaceiros se depararam com o corpo inerte de Ezequiel Ferreira “Ponto Fino II”, atingido mortalmente pelos disparos da “costureira”, apelido pelo qual Lampião se referia à metralhadora. Lampião perdia nesse momento o seu irmão caçula e o último de seus irmãos que optaram pela vida incerta e sangrenta do cangaço. A cada baixa sofrida aumentava ainda mais o ódio e o desejo de vingança por parte de Lampião contra as policias e seus mancomunados. Após esse episódio o chefe cangaceiro e seus Cabras, cegos de ódio, seguem em marcha pelos sertões com o sentimento de ódio e de vingança, disseminando o terror indiscriminadamente.

Cruz fixada nas proximidades da Lagoa do Mel
(Povoado Baixa do Boi - Paulo Afonso/BA). Local onde
ocorreu o combate entre o bando de Lampião e a Volante
 baiana comandada pelo Tenente Arsênio Alves de Souza. 

Pesquisadores Sandro Lee e João de Sousa Lima ladeando a cruz fixada
nas mediações onde aconteceu o confronto entre o bando cangaceiro e
a Volante baiana. 

Detalhe da Cruz e da Placa em deferência ao local da morte
de Ezequiel Ferreira da Silva "Ponto Fino II".
Irmão de Lampião. 


Missão cumprida. 

 Refeitos do ataque-surpresa os Soldados Volantes, tendo a frente o Tenente Arsênio Alves, se reúnem e retornam ao local do ocorrido em busca de respostas que explicassem o inesperado e fatídico ataque cangaceiro e chegam ao nome de um morador local chamado Zé Pretinho o qual sem chances de defesa foi apreendido e amarrado pelos soldados que o conduziram para as proximidades da casa de dona Generosa, reconhecida coiteira de Lampião, onde serviu como alvo para a mira dos ensandecidos soldados e posteriormente teve seu corpo esquartejado. Após a retirada dos soldados dona Generosa mandou enterrar os restos mortais de Zé Pretinho, dando um enterro digno ao inocente. A atitude dos soldados contra o inocente Zé Pretinho demonstra o modo operacional e o despreparo de grande parte das policias atuantes naquela época. Era fera combatendo fera. Cobra engolindo Cobra. Um tempo de aflição em que as populações sertanejas permaneciam em meio ao fogo cruzado provocado por quem deveria manter a ordem e a segurança e por quem costumeiramente espalhava a insegurança e o terror pelos sertões do Nordeste.

Zé Pretinho foi apenas uma entre as incontáveis vítimas da polícia atuante na época, um inocente que foi julgado, condenado sem provas e executado pelos soldados, sem chance alguma de defesa ao contrário de Ezequiel Ferreira da Silva “Ponto Fino II” irmão de Lampião, que por livre e espontânea vontade optou pela vida da canga. Ambos vítimas do cangaço. Ambos perdedores.  Ambos história que deverá perdurar através dos tempos para que não se perca com o passar dos anos, possibilitando o conhecimento futuro.

Graças a ações como essas realizadas pelos pesquisadores João de Souza Lima e Sandro Lee, além de tantos outros que atuam de forma semelhante é que a cada dia aumenta mais ainda a nossa esperança de que a verdadeira e genuína história cangaceira permanecerá viva por muito tempo, proporcionando estudos, debates e discussões acaloradas ou não em torno do assunto. Aos poucos vai surgindo aos nossos olhares a Rota do Cangaço da região de Paulo Afonso na Bahia, região que cedeu vários de seus filhos para as hostes de Lampião e de grande concentração de histórias e atuações tendo como pano de fundo o cangaço lampiônico e terra natal de Maria Bonita, companheira do “Capitão-Cangaceiro” Virgolino Ferreira da Silva o vulgo, temível e afamado Lampião.

As fotografias anexadas a essa matéria são dos locais onde os fatos se sucederam e dos momentos seguintes à afixação das cruzes e das placas por parte dos “Cabras” João de Souza Lima e Sandro Lee.

Que a história permaneça viva e intocável. Assim espero.

Fotografias: Sandro Lee / João de Sousa Lima

Geraldo Antônio de Souza Júnior